20 de julho de 1909 – 1 Niterói

Autor: Júlia Lopes de Almeida

Tipo de obra: crônica

Haverá muito aí quem vá a Niterói, por passeio, entre as sete e as oito horas da manhã?

Talvez não. Em matéria de divertimento, esse poderá parecer à nossa sociedade um tanto extravagante…

Pois vale a pena. Os efeitos da luz que de instante a instante aumenta de intensidade, desnudando montanhas de que fugimos ou a que nos aproximamos, esgarçando névoas, pondo barras de ouro pálido em areais de praias e envolvendo os vultos negros de embarcações de todo o gênero em um nimbo diáfano que os desmaterializa, bastariam já para entreter os olhos e a imaginação dos viajantes, se ainda na cidade fronteira não houvesse motivos muito dignos da nossa curiosidade.

Tinham-me falado de uma avenida nova na capital fluminense, de trinta e três metros de largo por três mil cento e quarenta de extensão, e, sabendo que essa alameda era percorrida de extremidade a extremidade pelos excelentes bondes elétricos de Niterói, não hesitei em ir vê-la. É mais do que uma promessa, pois que está em parte realizada: alinhada, nivelada e com os trilhos em linha dupla assentes. Mas o seu aspecto é ainda o de uma estrada, no centro da qual abrem um canal, atravessado aqui e além por pontezinhas elegantes e margeado por uma tira de gramado que só existe no plano e de filas de magnólias que ainda não se plantaram.


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